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Seja idiota

  • 27 de mar. de 2016
  • 2 min de leitura

Passei todos esses anos, embora não sejam muitos, em alerta. Sempre preocupada em não ser passada pra trás, em não bobear com ilusões, um pavor enorme em assinar atestado de idiota.

Houve uma época em que me julguei muito esperta, muito madura, muito bem resolvida, a famosa fodona. Coitada de mim. Tão ingenua.

Graças a Deus acordei pra vida, enxerguei a realidade, nua e crua, dolorosa mas necessária: a gente não sabe de porra nenhuma! Com 20, com 30, com 40, com 80, a gente ganha sim bagagem mas sempre vai ter alguem mais que a gente. Mais esperto, mais experiente, mais filho da puta. Somos contantes alunos da vida.

Tinha subido um degrau, quando a gente finalmente reconhece que não domina alguma coisa a gente se liberta pra começar a aprender um pouquinho. O problema é que o pavor da idiotice permanecia aqui e quando agente tem medo, seja lá do que for, a gente cria uma defesa mesmo que inconsciente e isso bloqueia a gente da vida.

O medo de me permitir me enganar me fazia duvidar de tudo e de todos. Pra não correr riscos você acaba ficando estático, afinal, a unica forma de nunca errar é nunca fazer nada. E então eu vivia nessa eterna paralisação.

Não vou ligar porque não posso parecer interessada.

Não vou demonstrar interesse porque não quero ser boba.

Não vou ser boba de cair em papinho.

Não vou aturar papinho porque não sou idiota...

Quanta imaturidade. Quanta bobeira. Mal eu sabia que esse medo ridículo de ser idiota era minha maior idiotice. Tanto trabalho pra não ser feita de boba e eu mesma me sabotava.

A real é que todo mundo é idiota, todo mundo vai ser bobo, principalmente quando envolver sentimento no meio. Coração não aceita conselho e a gente cai em cada armadilha. Não dá pra tentar entender tudo, controlar tudo, você pira de tanto querer não pirar. É quase um feito contrario. Tanto esforço totalmente em vão.

Se eu pudesse falar com a Mariana de uns 7 anos atrás eu iria pedir, implorar, suplicar. Miga, sua loka. Seja idiota! A mais idiota de todas. A idiotona da estrela. Se joga, liga, fala, faz, foda-se.

A vida da gente é muito pequena diante de tudo que a gente tem pra viver, pra ver, pra sentir. O tempo voa, como disse alguém por aí: a gente não controla nem a gente, quanto mais outra pessoa. A hora certa vai ser sempre agora e o que vai contar é o que tá no coração.

Joelho ralado sara, dor de cotovelo passa e sofrimento nenhum dura pra sempre. Então não pensa, não. Se amanha não for nada disso você esquece, pode até demorar mas esquece. Não se controla tanto, aliás, não tenta se controlar. porque no final é tudo em vão e o tempo que você perdeu complicando coisas tão simples foi unicamente isso, tempo perdido. A vida da gente é muito rara e passa muito rápido, perde tempo não.

Quem dá amor nunca vai sair perdendo. Amor nunca é em vão, mesmo quando não bem recebido. A gente não deve ter vergonha de se expor, quem tem que ter vergonha é quem por pura covardia brinca de não sentir e prefere fingir que não sabe amar.


 
 
 

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