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Aceito a fama.

  • 8 de set. de 2015
  • 3 min de leitura


Sempre tive fama de maluca. Doidinha, maluquete, já chamaram até de rebeldia.Perdi as contas de quantas milhões de vezes na vida eu escutei: "você é louca", por "N" motivos diferentes. Esses dias parei pra pensar o que seria ser maluca. Num mundo onde as pessoas vivem de status, agem conforme as expectativas dos outros e dançam conforme a música que a sociedade toca, realmente é visto como loucura seguir seus próprios instintos. Minha vó, com seus 66 anos nas costas, me chama de maluca a cada tatuagem nova que eu faço, acha loucura todas as minhas saídas e viagens e se escandaliza quando em alguma conversa eu relembro a ela que não tenho a pretensão de casar, pelo menos não tão cedo. Em resumo, me acha uma maluca de pedra e todos os dias nas suas orações pede a Deus pra me "curar". O engraçado, é que não é só ela que não entende muitas das minhas atitudes e escolhas na vida, se fosse era ate justificável, os tempos são outros, a criação dela foi outra, é quase um choque de gerações. Mas o que tem de gente que prega o mesmo discurso, nossa, não esta no Gibi. Claro que não sobre as mesmas questões, o "você é maluca" aparece em vários outros momentos, só que o fato é que a razão é uma só. Já larguei empregos e já desfiz relacionamentos e amizades por não estarem me fazendo feliz. Já dei segunda, terceira e décima chance porque acreditava que milagres poderiam acontecer. Já desisti de ir com a mala pronta, já fui em cima da hora com três peças de roupa na bolsa. De coisas simples a coisas serias, eu me jogo, arrisco e vejo no que vai dar porque a minha bússola ta no meu peito. Já dei muito a minha cara a tapa por aí e acredito que essa seja a "loucura" que muitos falam. Numa sociedade conservadora, medrosa e carente quem arrisca é maluco. Quem não segue os padrões pra seguir o coração é digno de camisa de força. Nao interessa se você nao tem certeza que é esse caminho que você quer seguir, você começou, as pessoas já estão contando com você, o jeito é aderir ao bordão e aceitar, dizem que dói menos. Os seus sonhos, os seus reais desejos, as suas vontades e os seus sentimentos você esquece, guarda na gaveta, deixa pra depois porque agora não vai dar. Eu sou adepta ao estilo Zeca, muitas vezes eu deixo a vida me levar, mas tudo tem limite. Eu vejo tanta gente por aí que "aceitou o destino", que deixa a vida levar porque não sabe remar ou tem preguiça, afinal, remar da trabalho, mudar a direção das velas então, nem se fala. E vai vivendo, vai levando, vai empurrando a vida com a barriga, deixando sempre pra amanha o que na verdade deveria ser prioridade. Não tô dizendo que essas pessoas são infelizes mas acredito que vivam anestesiadas, não vivem em tristeza profunda mas levam uma vida sem tesão. A grande maioria num determinado momento da vida se olha no espelho e não sabe pra onde ta indo nem porque chegou aonde está, seguiu uma vida sem propósito. Algumas acordam a tempo, outras até detectam a insatisfação mas por achar que é tarde pra mudar continuam na mesma. E existem pessoas que morrem sem ter notado que não viveram, apenas seguiram o roteiro que alguem deternimou. Eu não quero ser uma dessas pessoas, não quero me olhar no espelho e me perguntar "que merda que eu fiz com a minha vida?" Não quero acordar arrependida por ter deixado de fazer isso ou aquilo pra atender as expectavas de alguem, não quero terminar a minha vida num emprego que não me satisfaz em nada porque eu preciso pagar as contas no final do mês, nem em um relacionamento fracassado porque tive medo de morrer sozinha. Por isso, eu não vou contra meus sentimentos, não permaneço no que não me faz feliz e não me permito acomodar por mais confortável que seja a situação. Eu ainda tenho milhares de duvidas sobre a minha vida, me sinto perdida por diversas vezes, me questiono escolhas, recalculo rotas, mas o barco tá sempre no mar. Ainda não me encontrei mas não me canso da busca. Vou errar, cair, quebrar a cara, mas acredito que é dessa forma que se vive. Posso tá longe de ser quem eu quero mas tô no caminho, tô me perdendo por aí, já peguei varias ruas sem saída que nao me levaram a lugar nenhum, já mudei de percurso trezentas vezes e vou mudar mais quantas for preciso, viver é isso, nao se pode ter medo, e aqui dentro o que não falta é coragem. Por fim, se isso for ser maluca, então tudo bem. Pode me dar o atestado, aonde eu assino?


 
 
 

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