O Fim da linha
- 2 de set. de 2015
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A gente se conheceu, ficou, ficou de novo e foi ficando... até você sumir. Eu não entendi o que tinha acontecido mas o meu orgulho de sempre também não me deixou perguntar, a vida seguiu. Eu já tinha outro alguem quando nos reencontramos, você bagunçou tudo que já estava refeito e foi então que começou toda confusão. O que fazer? Largar o certo, que diga-se de passagem de certo não teve nada, e ficar com duvidoso? Quem garantia que num belo domingo de Sol você não iria sumir novamente? Não, não dava pra apostar minhas fichas. O problema é que eu gostava de você, apesar de toda desconfiança eu gostava, e fui me embolando na minha própria corda, cada dia mais. Depois de muita indecisão eu finalmente tranquei a porta e fui viver, você também seguiu. Eu ressentida daqui, você com raiva daí, cada dia menos amigos e lugares em comum, foi ficando fácil não lembrar.
Depois de um tempo, pra minha surpresa, você me procurou e foi o suficiente pra confusão toda voltar. Briga, volta, separa, tenta com outra, volta, briga, namora outro, e volta e briga... E aqui estamos. Acredito que você nem vá saber da existência desse texto mas é que eu tinha tanta coisa pra falar... Queria que você soubesse que apesar da minha fuga eu não trouxe raiva na bagagem. Eu sei que eu sempre te culpei pelos nossos fracassos, assim como você sempre culpou a mim os nossos fins, mas hoje, com um olhar mais maduro, consigo ver que não existe esse lance de culpa, não se pode ter um culpado se a relação era a dois, e no nosso caso foi o nosso relógio que estava com horas desiguais, a nossa hora sempre esteve errada. Você entrava, eu desconfiava, você saia. Eu entrava, você desacreditava, eu pulava fora. Sempre foi assim. Nossas metralhadoras sempre carregadas de mágoas e acusações, nossas lembranças programadas para nos alertar a qualquer sinal de avanço que ia dá merda de novo. Nossos corações atentos a todo instante pra não cair no mesmo buraco. O medo de virar bobo da corte era tão grande que foi ele mesmo que nos levou direto pra guilhotina. Só baixaríamos a guarda se o outro provasse que dessa vez estava chegando em paz, que dessa vez não teria armas, golpes, canivete no bolso, faca na meia, nada. A questão era: quem ia se despir primeiro? E foi nessa guerra de quem era mais que nós viramos nada. Tivemos erros diferentes mas que nos levaram ao mesmo lugar, e mesmo depois de todos esses anos os discursos permaneciam os mesmos, por isso, hoje eu quero fazer diferente, mesmo e, principalmente, não fazendo mais diferença. Tiveram tantas coisas que foram jogadas pra debaixo do tapete, eu preciso limpar a casa. Por isso, quero te pedir desculpa.
Desculpa o mal jeito nas atitudes, desculpa a agressividade nas palavras, desculpa a criancice e principalmente a covardia. Desculpa também o pedido que você fez ano passado e eu não atendi, você insistiu tanto, eu sei. As vezes me pergunto se teria feito diferença. Desculpa a segurança que você queria mas eu nunca fui capaz de passar. Desculpa a falta de fé na gente naquela época que quase viramos "nós", desculpa a falta de confiança e todas as conclusões precipitadas. Desculpa as cobranças, eu sei que desde que escolhi o meu caminho eu perdi o direito de cobrar qualquer coisa. Desculpa o medo que sempre me fez correr pra longe. Desculpa todos os meus surtos em todos esses anos. Desculpa todas as minhas chegadas inesperadas e as minhas partidas programadas. Eu sei que a cada reencontro seus braços estavam menos abertos e seu "oi" já era dado esperando pelo meu "tchau". Desculpa ter tirado as palavras da garganta tão tarde e desculpa a falta de coragem em ficar pra ouvir a resposta. A verdade é que eu sei a resposta, só que ouvi-la ia doer muito mais. Eu cheguei atrasada, alguns anos atrasada. Demorei muito pra querer o seu lado do muro e quando eu decidi pular você já tinha colocado cerca, e eu não acho que você esteja errado por isso. A gente deve mesmo trancar a porta pras pessoas que só chegam a passeio, passe livre apenas pra quem tá vindo pra ficar. Eu lamento o transtorno causado, entendo a recusa e deixo meus sinceros votos de felicidade. Quatros anos depois, coincidentemente no nosso mês, eu me despeço. Finalmente, Adeus!























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